quarta-feira, 9 de março de 2011

FEUDALISMO

O Feudalismo foi um modo de organização social e político baseado nas relações servo-contratuais (servis),predominante na Idade Média.Teve suas origens no século IV a partir das invasões germânicas(bárbaras)ao Império do Ocidente.Para evitar o caos e para facilitar a expulsão do invasores bárbaros,a Europa é dividida em reinos e cada reino em grandes lotes de terras ou feudos.Cada feudo possuía um administrador com plenos poderes,assim no sistema feudal tanto o poder do rei quanto do senhor feudal são descentralizados.

A VASSALAGEM

Os pequenos proprietários de terras impossibilitados de sobreviver, entregavam suas terras a um senhor mais poderoso, em troca de proteção. Pelo contrato de vassalagem, o suserano prometia proteção ao vassalo e este se obrigava a servir o suserano.

A ORGANIZAÇÃO POLÍTICA

No sistema feudal, os senhores que tinham vassalos eram por sua vez,vassalos de outros vassalos mais fortes.E estes,de outros vassalos mais fortes e assim por diante,até chegar ao rei.O rei era suserano dos suseranos.

A SOCIEDADE FEUDAL

CLERO: Aqueles que rezavam
Eram constituídos por clérigos e monges, possuíam grandes propriedades de terra e ocupavam cargos elevados junto aos reis e nobres. Os membros mais importantes do clero eram os abades e os bispos eram grandes senhores feudais.Como não possuíam filhos,não dividiam as terras e as propriedades da igreja aumentava cada vez mais.
Além de exercer grande influência junto aos reis e aos nobres, encarregou-se do ensino e da preservação da cultura.

NOBREZA: Aqueles que lutavam
Os nobres dedicavam-se à caça, aos torneios,à guerra e as festas.Os senhores feudais gozavam de imunidades nas suas propriedades: isto é,não pagavam impostos e eram fiscalizados por funcionários do rei.

SERVOS: aqueles que trabalhavam
Eram os habitantes do feudo. Viviam totalmente submetidos ao senhor feudal. Não eram escravos nem trabalhadores totalmente livres. Os seus principais impostos era corvéia, talha, banalidades,censo,capitação,dízimo e mão-morta.

ECONOMIA FEUDAL:
A agricultura era a base da economia feudal. Nos feudos produziam quase de tudo de que necessitavam. As mercadorias eram trocadas entre si,conforme o valor de uso(a necessidade dos envolvidos na troca).



TEOCENTRISMO:

O cristianismo era a religião oficial da Europa na Idade Média, tanto que aquele que não é cristão é inimigo político e religioso. Podemos dizer que,sob muitos aspectos,a igreja assumia a direção da sociedade.A religião para o homem medieval é de extrema importância:agradar e obedecer a DEUS é seu objetivo de vida. O teocentrismo, portanto, é um dos traços da cultura medieval. O clero é a classe dominante mais poderosa econômica -política-socialmente falando dentro da sociedade medieval.

O CONVENCIONALISMO

A sociedade medieval é convencional, ou seja, nela as pessoas se tratam com extremo respeito e formalidade, mesmo as mais íntimas ou as mais zangadas. É por isso que nessa época é muito comum, no dia a dia de todas as classes sociais, o uso de palavras e expressões de tratamento como : vós, vos, vosso(a)(s), senhor, senhora, dom/dona (para reis/rainhas/nobres em geral), amigo (namorado), etc, e os verbos na 2ª. Pessoa do plural. O tratamento cortês (convencionalismo social) é outro traço da cultura medieval.

O PATRIARCALISMO

A sociedade medieval é patriarcal: a mulher leva uma vida segregada, não tem qualquer participação social e depende totalmente do homem. Trancada e vigiada em casa - primeiro pelo pai, depois pelo marido - a mulher é educada para ser mãe e esposa, ocupando-se dos afazeres domésticos, de trabalhos manuais como tecer, bordar, costurar, etc. Raramente a mulher tem alguma instrução.

EDUCAÇÃO, ARTE E CULTURA

A educação era para poucos, pois só os filhos dos nobres estudavam. Marcada pela influência da Igreja, ensinava-se o latim, doutrinas religiosas e táticas de guerras. Grande parte da população medieval era analfabeta e não tinha acesso aos livros. A arte medieval também era fortemente marcada pela religiosidade da época. As pinturas retratavam passagens da Bíblia e ensinamentos religiosos. As pinturas medievais e os vitrais das igrejas eram formas de ensinar à população um pouco mais sobre a religião. Podemos dizer que, em geral, a cultura e a arte medieval foram fortemente influenciadas pela religião. Na arquitetura destacou-se a construção de castelos, igrejas e catedrais.



REFERÊNCIAS:
-rosabe. sites.uol.com.br / trovad.htm
-www.tg3.com.br/feudalismo/

sábado, 7 de novembro de 2009

O papel das letras na intereção social

O papel das letras na intereção social

O ensino atual da Língua Portuguesa foca a prática no dia-a-dia e mescla atividades de fala, leitura e produção de textos desde cedo

Beatriz Santomauro (bsantomauro@abril.com.br)

Fotos: Gustavo Lourenção e Cacá Bratke
PRODUÇÃO E REFLEXÃO (à esq.) Nas situações práticas da análise e construção de textos, os estudantes sistematizam regras. LEITURA DIÁRIA (à dir.) Ao ler gêneros e autores diversos, a turma passa a reconhecer
as características das obras. Fotos: Gustavo Lourenção e Cacá Bratke

Até os anos 1970, o processo de aprendizagem da Língua Portuguesa era comparado a um foguete em dois estágios, como bem pontuam os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). O primeiro ia até a criança ser alfabetizada, aprendendo o sistema de escrita. Já o seguinte começaria quando ela tivesse o domínio básico dessa habilidade e seria convidada a produzir textos, notar as normas gramaticais e ler produções clássicas.

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A partir dos anos 1980, o ensino não é mais visto como uma sucessão de etapas, e sim um processo contínuo. "O aluno precisa entrar em contato com dificuldades progressivas do conteúdo. Desse modo, desenvolve competências e habilidades diferentes ao longo dos anos", diz Maria Teresa Tedesco, professora do Colégio de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

As situações didáticas essenciais para o Ensino Fundamental passaram a ser: ler e ouvir a leitura do docente, escrever, produzir textos oralmente para um educador escriba (quando o aluno ainda não compreende o sistema) e fazer atividades para desenvolver a linguagem oral, além de enfrentar situações de análise e reflexão sobre a língua e a sistematização de suas características e normas.

Essa nova concepção apresentava inúmeras diferenças em relação a perspectivas anteriores. Desde o século 19 até meados do 20 (acompanhe essa evolução na linha do tempo abaixo), a linguagem era tida como uma expressão do pensamento. Ler e escrever bem eram uma consequência do pensar e as propostas dos professores se baseavam na discussão sobre as características descritivas e normativas da língua. "O objeto de ensino não precisava ser a linguagem", explica Kátia Lomba Bräkling, coautora dos PCNs e professora do Instituto Superior de Educação Vera Cruz, em São Paulo.

Concepções de linguagem alteram modo de ensinar
Foto: Patricia Stavis
PROFESSOR LEITOR Os pequenos se familiarizam com as imagens e os textos do livro lido por adultos. Foto: Patricia Stavis

Na década de 1970, uma nova transformação conceitual mudou as práticas escolares. A linguagem deixou de ser entendida apenas como a expressão do pensamento para ser vista também como um instrumento de comunicação, envolvendo um interlocutor e uma mensagem que precisa ser compreendida. Todos os gêneros passaram a ser vistos como importantes instrumentos de transmissão de mensagens: o aluno precisaria aprender as características de cada um deles para reproduzi-los na escrita e também para identificá-los nos textos lidos.

Ainda era essencial seguir um padrão preestabelecido, e qualquer anormalidade seria um ruído. Para contemplar a perspectiva, o acervo de obras estudadas acabou ampliado, já que o formato dos textos clássicos não servia de subsídio para a escrita de cartas, por exemplo.

Foto: Gustavo Lourenção
ESCREVER SEMPRE Desde o 1º ano, os alunos precisam mostrar o que sabem sobre a escrita para criar hipóteses. Foto: Gustavo Lourenção

Em pouco tempo, no entanto, as correntes acadêmicas avançaram mais. Mikhail Bakhtin (1895-1975) apresentou uma nova concepção de linguagem, a enunciativo-discursiva, que considera o discurso uma prática social e uma forma de interação - tese que vigora até hoje. A relação interpessoal, o contexto de produção dos textos, as diferentes situações de comunicação, os gêneros, a interpretação e a intenção de quem o produz passaram a ser peças-chave.

A expressão não era mais vista como uma representação da realidade, mas o resultado das intenções de quem a produziu e o impacto que terá no receptor. O aluno passou a ser visto como sujeito ativo, e não um reprodutor de modelos, e atuante - em vez de ser passivo no momento de ler e escutar (leia a entrevista com uma professora que procura seguir as tendências no quadro à esquerda).

Essas ideias ganharam suporte das pesquisas que têm em comum as concepções de aprendizagem socioconstrutivistas, que consideram o conhecimento como sendo elaborado pelo sujeito, e não só transmitido pelo mestre. Entre os principais pensadores estão Lev Vygostsky (1896-1934) - que mostrou a importância da interação social e das trocas de saberes entre as crianças - e Jean Piaget (1896-1980) - pai da teoria construtivista.


Nos anos 1980, Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, autoras do livro Psicogênese da Língua Escrita, apresentaram resultados de suas pesquisas sobre a alfabetização, mostrando que o aluno constrói hipóteses sobre a escrita e também aprende ao reorganizar os dados que têm em sua mente. Em seguida, as pesquisas de didática da leitura e escrita produziram conhecimentos sobre o ensino e a aprendizagem desses conteúdos.

Foto: Drawlio Joca

PAPEL DE ESCRIBA Eleger um jovem para escrever
as produções orais incentiva a construção coletiva. Foto: Drawlio Joca

Hoje, a tendência propõe que certas atividades sejam feitas diariamente com os alunos de todos os anos para desenvolver habilidades leitoras e escritoras. Entre elas, estão a leitura e escrita feita pelos próprios estudantes e pelo professor para a turma (enquanto eles não compreendem o sistema de escrita), as práticas de comunicação oral para aprender os gêneros do discurso e as atividades de análise e reflexão sobre a língua.

A leitura, coletiva e individualmente, em voz alta ou baixa, precisa fazer parte do cotidiano na sala. "O mesmo acontece com a escrita, no convívio com diferentes gêneros e propostas diretivas do professor. O propósito maior deve ser ver a linguagem como uma interação", explica Francisca Maciel, diretora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), em Belo Horizonte.

O desenvolvimento da linguagem oral, por sua vez, apesar de ainda pouco priorizado na escola, precisa ser trabalhado com exposições sobre um conteúdo, debates e argumentações, explanação sobre um tema lido ou leituras de poesias. "O importante é oferecer oportunidades de fala, mostrando a adequação da língua a cada situação social de comunicação oral" (leia as expectativas de aprendizagem do 5º e 9º anos no quadro abaixo).

Foto: Alexis Prappas/Agrad. à EM São Sebastião
O EXERCÍCIO DA FALA Atividades como seminários e entrevistas ajudam a desenvolver a linguagem oral. Foto: Alexis Prappas/Agrad. à EM São Sebastião

Por esse entendimento da leitura, da escrita e da oralidade, mudam os objetivos da Educação. "Considerar que o objeto de ensino se constrói tomando como referência as práticas de leitura e escrita supõe determinar um lugar importante para o que os leitores e escritores fazem, supõe conceber como conteúdos fundamentais do ensino os comportamentos do leitor, os comportamentos do escritor", diz Delia Lerner no livro Ler e Escrever na Escola, O Real, o Possível e o Necessário.

Para que a aprendizagem seja efetiva, a intenção do educador deve ser a de extrapolar as situações de escrita puramente escolares e remeter às práticas sociais. Dessa forma, possibilita-se aos alunos o contato com gêneros que existem na vida real - e não propor a elaboração de redações escolares sem contexto. "A proficiência do aluno requer a aprendizagem não apenas dos conteúdos gramaticais mas também dos discursivos", diz Kátia.